"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda." Paulo Freire

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

E diante dos desafios da socialização hoje, o que cabe ao professor de História?

E para ilustrar a questão de hoje, trago mais uma vez a fofa da Mafalda, com sua visão aguçada e sempre questionando o mundo ao seu redor!











Bem, diante de todas as questões já expostas sobre os desafios e obstáculos da socialização na escola, qual seria o papel do professor, e mais especificamente (no meu caso) do professor de História?

É importante lembrarmos que antes de tudo o professor é um grande agente da memória, em poucas palavras quer dizer que o professor é um profissional responsável, entre outras coisas, pela manutenção da memória social, aquelas conquistas históricas de nossa sociedade que falei nos posts anteriores. "A ele compete a aquisição, reflexão, transmissão e manutenção dos aspectos valorizados pela cultura de um certo grupo social em um determinado momento." 
O professor então é uma grande ponte! Uma ponte temporal, social, tecnológica... 

Vale lembrar que como agente da memória, o professor tem dois papeis: É  agente de uma memória informal, aquele conhecimento que é passado para os alunos pela diferença de idade por exemplo, e claro um agente de memória formal, com a transmissão dos conteúdos curriculares.

Se tratando de memória, pendo que ninguém melhor que o professor de história para lidar com esta questão. Calma, TODOS os professores são agentes da memória. Mas penso que o professor de História tem um dedinho especial. 
Penso que a História ( e quando falo em História também quero dizer o prof. de História) tem um papel fundamental em três importantes aspectos da educação hoje em dia: 1. Na interdisciplinaridade; 2. Na contextualização e 3. Oportunizar o senso crítico. 

Na interdisciplinaridade, isto é, a integração das disciplinas, pois na realidade, o dia-a-dia não é dividido em gavetas como está na escola!
Em matemática por exemplo, nunca esqueço quando um professor que tive nos contou sobre a história da numeração dos calçados (que foi criada na Inglaterra em 1324, e tinha como unidade de medida um grão de cevada, que corresponde a 1/3 de polegada). Achei um máximo! 
A História também é um grande terreno de contextualização para as outras disciplinas!
Na contextualização: trazer para a escola os conhecimentos do cotidiano do aluno, mas não somente isso, também encontrar um centro de interesse dos seus alunos. Quando estudamos os grandes vultos históricos, ou as grandes revoluções e tal e tal, mas nossos alunos sequer sabem a história de sua cidade! 
E por  fim oportunizar o senso crítico, uma função normalmemente relacionada às ciências humanas na escola. Provocar no aluno a necessidade de questionar o porquê das coisas aconteceram daquela maneira na História, criando hipóteses, não aceitando os fatos como verdades absolutas, como diz Paulo Freire. 


Depois de puxar tanta brasa para o meu assado acho que já está bom por hoje! Até uma próxima.

Referência: Texto: O papel do professor na sociedade digiital. In: CASTRO, A. D. de; CARVALHO, A. M. P. de (orgs). Ensinar a ensinar. Didática para a escola fundamental e média. São Paulo: Thomson, 2001.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Continuando...

          Pois então, pra que serve a escola? Afinal,  passamos por volta de onze anos indo à escola todo santo dia! 
      
    
Depois de termos visto um pouquinho sobre os conceitos da função social da escola, o que ela significa e as contradições que são inerentes à esse processo de socialização escolar, para  mim ficou muito forte a questão de que se a escola é tão cheia de contradições, de conflitos, de competitividade exagerada, de exclusão, e tantas outras palavrinhas ruins que atrapalham nosso convívio social, estaria a escola então condenada a ser uma grande instituição de transmissão de conteúdos, que apenas reproduz (quando não acentua) as  desigualdades sociais? 
           
E agora o que fazer então na escola diante das contradições desse processo de socialização?

Para mim, concordo quando o autor do nosso texto fala que a escola pode ter uma função compensatória, como uma maneira de lidar com as diferenças de origem do aluno, isto é, as referências sócio-econômicas e culturais que a criança adquire com sua família, seus amigos, e demais instâncias sociais. 
A proposta então seria a criação de uma educação mais heterogênea, que dê conta dessa diversidade que existe na nossa sociedade contemporânea. E para isso então existem as políticas compensatórias! Por esse bonito nome talvez você não as conheça, mas aposto que já ouviu falar nas cotas universitárias, na educação especial e na educação para jovens e adultos, o EJA!  
Bom, é claro que estas políticas não resolvem o problema por inteiro, muitas vezes são apenas compensações aos "buracos" que ficam na escolarização das pessoas, ou compensação de uma sociedade excludente e sem estrutura, como é o caso da educação especial, ou educação inclusiva. 
É neste ponto que eu queria chegar! 

Tive uma experiência muito enriquecedora com a educação inclusiva, no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina. Lá trabalhamos com alunos que apresentam diversos tipos de deficiência e síndromes, como paralisia cerebral, autismo, Down, Síndrome de Asperger, e por aí vai... Todos inseridos em salas de aula "comuns". 
Isto porque refletindo sobre este assunto de políticas compensatórias, lembrei de uma questão que eu tinha na minha cabeça todo o dia que eu ia trabalhar com a educação especial: "Mas será que ela é mesmo inclusiva? "Será que é a coisa certa para essas crianças colocá-las numa sala de aula "comum" sem muitas adaptações?". E muitas outras contradições que vemos no dia-a-dia da inclusão. 
Hoje vejo que minha resposta para estas perguntas é "Sim". Sim porque ela é inclusiva no momento em que proporciona a estas crianças a vivência escolar, o contato com as pessoas, os professores, os colegas... a disciplina escolar que para esses alunos é super importante em seu crescimento, e além de tudo proporciona aos outros alunos um contato, uma vivência, um grande aprendizado sobre o que é a deficiência, coisa que dificilmente acontece em outros ambientes sociais, às vezes até mesmo por conta do preconceito e dos "mitos" em torno desse assunto. 

Por hoje é isso! Até a próxima postagem! 






quinta-feira, 1 de setembro de 2011

As Funções Sociais da Escola

Qual o papel da escola?, Qual sua função social?, e afinal: Pra que serve a escola? 

    Nossa sociedade criou mecanismos e sistemas de transmissão para garantir a sobrevivência de suas conquistas históricas nas novas gerações. Para a aplicação desses sistemas e mecanismos de perpetuação, temos diversas instâncias sociais como: a família, os grupos sociais, os meios de comunicação, os grupos religiosos, entre outros. 
A escola por sua vez, atua como uma instância especializada, isto é, pelos seus conteúdos, suas formas e seus sistemas de organização, é especializada para realizar o processo de aquisição por parte das novas gerações das tais conquistas sociais. 
          Seria essa apenas a função da escola? 
     Para garantir a reprodução social e cultural como requisito para a sobrevivência da sociedade, a socialização escolar tem dois grandes objetivos: a formação do aluno para sua incorporação no mundo do trabalho, ou seja, vincular os saberes à serviço da sociedade, e a formação do cidadão para a intervenção na vida pública, ou seja, para a cidadania e todas as suas obrigações, "direitos e deveres". 
       Refletindo sobre essa questão, somos levados a acreditar que em nossa sociedade contemporânea esses objetivos sejam essencialmente opostos, contraditórios. Isto porque ao preparar o aluno para o mundo do trabalho, a sociedade requer que estes sejam ajustados as exigências dos postos de trabalho assalariados, exercitando assim atitudes de submissão e  disciplina, bem como o individualismo, a meritocracia e a competitividade. Ora, ao preparar o cidadão para a vida em sociedade, deve-se em princípio, provocar o desenvolvimento de atitudes e comportamento solidário, na liberdade de escolha e de consumo, na participação política e demais aspectos que vida em sociedade requer. 
Isto quer dizer então que estas duas esferas tão importantes da nossa sociedade, a econômica e a política, estariam sempre em confronto? 
           Bom estas são algumas das diversas contradições que encontramos no processo de socialização escolar. Assim com escreve o autor do texto estudado e base para esta postagem (referência no final do post!), é um processo sobretudo complexo e sutil marcado por profundas contradições e inevitáveis resistências individuais e grupais. E a escola é o cenário vivo dessas interações, do intercâmbio de ideias, valores, interesses e conflitos
           Concordo com o autor quando diz que diante desses conflitos, é claro que a escola, pelo fato de ser uma instituição social que cumpre funções específicas e restringidas, não pode compensar sozinha as diferenças que a nossa sociedade contemporânea, pós-industrial e capitalista têm em sua base, como a divisão em classes ou grupos com oportunidades, possibilidades econômicas, políticas e sociais bem desiguais. No entanto também penso que não é todo o cidadão que compartilha dessa opinião, ou vai dizer que você nunca ouviu alguém dizer que a educação é a salvação para a sociedade? 
             Para estes que têm essa opinião, gostaria de lembrá-los das outras instituições sociais que fazem parte da construção do nosso processo amplo de educação, (aquelas ali do comecinho da postagem). A família, os grupos religiosos, todos os tipos de mídia, principalmente a televisão, que hoje "ensina" bem ou mal as nossas crianças, também não merecem mais atenção dos pais e sobretudo um exercício de reflexão e crítica? 
             Para estes aspectos conflitantes da escola o autor nos mostra duas propostas... Mas essas eu explico na próxima postagem! Assim como uma tentativa de resposta à questão: "O que fazer então na escola diante das contradições do processo de socialização?". 


Baseado no texto: As Funções Sociais da Escola: da reprodução à reconstrução crítica do conhecimento e da experiência.In:Sacritán, J.G. e Gomez, A.I.P. Compreender e transformar o ensino. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

Apresentação

Mais do que um diário virtual dos estudos, este blog foi criado com o objetivo de ser fonte de informações, apresentação e reflexão dos temas trabalhados em sala de aula. Além de ser é claro, um instrumento avaliativo da disciplina de Didática B: o Portifólio Digital, ou Digifólio. 

Ao longo de todo o semestre, o blog será alimentado com postagens que têm como objetivos principais o exercício da reflexão, a construção de um pensamento crítico e a busca por fazer uma ligação entre os temas curriculares da disciplina e a minha experiência de vida. Aqui portanto ficará registrado o meu processo de aprendizagem na disciplina de Didática B, do curso de História da Ufsc, e um pouquinho da minha caminhada junto à esse grande desafio que é aprender a ensinar