"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda." Paulo Freire

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Continuando...

          Pois então, pra que serve a escola? Afinal,  passamos por volta de onze anos indo à escola todo santo dia! 
      
    
Depois de termos visto um pouquinho sobre os conceitos da função social da escola, o que ela significa e as contradições que são inerentes à esse processo de socialização escolar, para  mim ficou muito forte a questão de que se a escola é tão cheia de contradições, de conflitos, de competitividade exagerada, de exclusão, e tantas outras palavrinhas ruins que atrapalham nosso convívio social, estaria a escola então condenada a ser uma grande instituição de transmissão de conteúdos, que apenas reproduz (quando não acentua) as  desigualdades sociais? 
           
E agora o que fazer então na escola diante das contradições desse processo de socialização?

Para mim, concordo quando o autor do nosso texto fala que a escola pode ter uma função compensatória, como uma maneira de lidar com as diferenças de origem do aluno, isto é, as referências sócio-econômicas e culturais que a criança adquire com sua família, seus amigos, e demais instâncias sociais. 
A proposta então seria a criação de uma educação mais heterogênea, que dê conta dessa diversidade que existe na nossa sociedade contemporânea. E para isso então existem as políticas compensatórias! Por esse bonito nome talvez você não as conheça, mas aposto que já ouviu falar nas cotas universitárias, na educação especial e na educação para jovens e adultos, o EJA!  
Bom, é claro que estas políticas não resolvem o problema por inteiro, muitas vezes são apenas compensações aos "buracos" que ficam na escolarização das pessoas, ou compensação de uma sociedade excludente e sem estrutura, como é o caso da educação especial, ou educação inclusiva. 
É neste ponto que eu queria chegar! 

Tive uma experiência muito enriquecedora com a educação inclusiva, no Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Santa Catarina. Lá trabalhamos com alunos que apresentam diversos tipos de deficiência e síndromes, como paralisia cerebral, autismo, Down, Síndrome de Asperger, e por aí vai... Todos inseridos em salas de aula "comuns". 
Isto porque refletindo sobre este assunto de políticas compensatórias, lembrei de uma questão que eu tinha na minha cabeça todo o dia que eu ia trabalhar com a educação especial: "Mas será que ela é mesmo inclusiva? "Será que é a coisa certa para essas crianças colocá-las numa sala de aula "comum" sem muitas adaptações?". E muitas outras contradições que vemos no dia-a-dia da inclusão. 
Hoje vejo que minha resposta para estas perguntas é "Sim". Sim porque ela é inclusiva no momento em que proporciona a estas crianças a vivência escolar, o contato com as pessoas, os professores, os colegas... a disciplina escolar que para esses alunos é super importante em seu crescimento, e além de tudo proporciona aos outros alunos um contato, uma vivência, um grande aprendizado sobre o que é a deficiência, coisa que dificilmente acontece em outros ambientes sociais, às vezes até mesmo por conta do preconceito e dos "mitos" em torno desse assunto. 

Por hoje é isso! Até a próxima postagem! 






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