"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda." Paulo Freire

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O currículo na prática

Continuamos com o tema de currículo, mas agora com o currículo do ponto de vista prático! 

Começamos por dividir o currículo em algumas Dimensões:

Currículo prescrito: O currículo oficial, no âmbito Federal, Estadual e Municipal;
Currículo moldado pelos professores: O planejamento;
Currículo em ação: A aula.

Sobre o currículo chamado de prescrito, ou seja, aquele que é designado pelas instituições responsáveis pelas questões educacionais da federação ou mais particularmente de cada estado, destaco os Parâmetros Curriculares Nacionais, os famosos PCN’s. O seu nome já diz, por serem parâmetros, e não leis ou coisa parecida, prezam pela descentralização, pela autonomia. Isto é, não temos um currículo nacional, o que há (os PCN’s) é uma base nacional comum, em si bastante genérica, composta por áreas de conhecimento.
  
Gostaria de comentar hoje um pouquinho sobre a Proposta Curricular de Santa Catarina, para o Ensino Fundamental, edição de 1998. Me chamou a atenção por ser um tanto diferente dos Parâmetros Curriculares Nacionais, por sua visão bastante particular e de tendências marxistas.  

Já no comecinho dos "Eixos norteadores da proposta curricular", se diz que para a Proposta Curricular de SC o ser humano é entendido como social e histórico, isto é, que o homem é resultado de um processo histórico, o qual ele mesmo conduz. Assim os seres humanos fazem a história, ao mesmo tempo que são determinados por ela. Deste modo esta proposta curricular diz que o conhecimento produzido ao longo do tempo é patrimônio coletivo e deve ser socializado com todos, através do zelo pela inclusão e não pela exclusão. 

No entanto o observado é um tanto diferente do proposto, já que, há uma relação do conhecimento considerado mas legítimo em cada tempo com o poder da classe dominante. "Assim, quanto mais esse conhecimento estiver concentrado nas mão de poucos, maior é a possibilidade de esses poucos controlarem pacificamente a maioria; quanto mais, porém, esse conhecimento for socializado, maior a possibilidade de conquista ou do controle de poder pela maioria." (olha o Marx aí!!) 
A socialização no entanto, nem sempre é das riquezas. Na escola há um outo tipo de socialização: a da riqueza intelectual, a qual Bourdieu denomina de "capital cultural", e a apropriação dessa "riqueza" é que abre caminhos para a ação política das camadas dominantes. 
A "solução" seria portanto que as crianças das classes dominadas possam ter  acesso e domínio do conhecimento próprio da camada dominante. Assim como afirmam Bourdieu e Passeron nas teorias críticas de currículo.  
Assim a concepção histórico-cultural do currículo abordada pelas propostas curriculares de SC, compreende que as relações e interações sociais estabelecidas pela crianças e pelos jovens são fatores de apropriação do conhecimento, de modo que tal afirmação traz consigo a consciência de uma responsabilidade ética da escola  com a aprendizagem de todos, um a vez que ela é considerada pela proposta como uma interlocutora privilegiada das interações sociais dos alunos. 

Por hoje é isso...
E sobre o assunto... fala aí Mafalda!


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