Nossa sociedade criou mecanismos e sistemas de transmissão para garantir a sobrevivência de suas conquistas históricas nas novas gerações. Para a aplicação desses sistemas e mecanismos de perpetuação, temos diversas instâncias sociais como: a família, os grupos sociais, os meios de comunicação, os grupos religiosos, entre outros.
A escola por sua vez, atua como uma instância especializada, isto é, pelos seus conteúdos, suas formas e seus sistemas de organização, é especializada para realizar o processo de aquisição por parte das novas gerações das tais conquistas sociais.
Seria essa apenas a função da escola?
Para garantir a reprodução social e cultural como requisito para a sobrevivência da sociedade, a socialização escolar tem dois grandes objetivos: a formação do aluno para sua incorporação no mundo do trabalho, ou seja, vincular os saberes à serviço da sociedade, e a formação do cidadão para a intervenção na vida pública, ou seja, para a cidadania e todas as suas obrigações, "direitos e deveres".
Refletindo sobre essa questão, somos levados a acreditar que em nossa sociedade contemporânea esses objetivos sejam essencialmente opostos, contraditórios. Isto porque ao preparar o aluno para o mundo do trabalho, a sociedade requer que estes sejam ajustados as exigências dos postos de trabalho assalariados, exercitando assim atitudes de submissão e disciplina, bem como o individualismo, a meritocracia e a competitividade. Ora, ao preparar o cidadão para a vida em sociedade, deve-se em princípio, provocar o desenvolvimento de atitudes e comportamento solidário, na liberdade de escolha e de consumo, na participação política e demais aspectos que vida em sociedade requer.
Isto quer dizer então que estas duas esferas tão importantes da nossa sociedade, a econômica e a política, estariam sempre em confronto?
Bom estas são algumas das diversas contradições que encontramos no processo de socialização escolar. Assim com escreve o autor do texto estudado e base para esta postagem (referência no final do post!), é um processo sobretudo complexo e sutil marcado por profundas contradições e inevitáveis resistências individuais e grupais. E a escola é o cenário vivo dessas interações, do intercâmbio de ideias, valores, interesses e conflitos.
Concordo com o autor quando diz que diante desses conflitos, é claro que a escola, pelo fato de ser uma instituição social que cumpre funções específicas e restringidas, não pode compensar sozinha as diferenças que a nossa sociedade contemporânea, pós-industrial e capitalista têm em sua base, como a divisão em classes ou grupos com oportunidades, possibilidades econômicas, políticas e sociais bem desiguais. No entanto também penso que não é todo o cidadão que compartilha dessa opinião, ou vai dizer que você nunca ouviu alguém dizer que a educação é a salvação para a sociedade?
Para estes que têm essa opinião, gostaria de lembrá-los das outras instituições sociais que fazem parte da construção do nosso processo amplo de educação, (aquelas ali do comecinho da postagem). A família, os grupos religiosos, todos os tipos de mídia, principalmente a televisão, que hoje "ensina" bem ou mal as nossas crianças, também não merecem mais atenção dos pais e sobretudo um exercício de reflexão e crítica?
Para estes aspectos conflitantes da escola o autor nos mostra duas propostas... Mas essas eu explico na próxima postagem! Assim como uma tentativa de resposta à questão: "O que fazer então na escola diante das contradições do processo de socialização?".
Baseado no texto: As Funções Sociais da Escola: da reprodução à reconstrução crítica do conhecimento e da experiência.In:Sacritán, J.G. e Gomez, A.I.P. Compreender e transformar o ensino. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.


COM TODA CERTEZA, NÓS PAIS TEMOS A CULPA EM NÃO POLICIAR O QUEENTRA EM NOSSAS CASAS ATRAVÉZ DAS MÍDIAS SOCIAIS. A INOCENCIA INFANTIL TEM SIDO ASSACINADA SIM PELOS CANAIS DE TV E PELAS MÍDIAS SOCIAIS.
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