logo lembrei do assunto da última postagem quando vi esta prova rolando pela net! kkkkk
Um exemplo de como uma questão confusa, ou até mal elaborada, pode ser respondida com criatividade de sobra! rsrs
"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda." Paulo Freire
terça-feira, 29 de novembro de 2011
sábado, 26 de novembro de 2011
Avaliar para conhecer
É possível desenvolver uma avaliação a serviço da aprendizagem?
Avaliar é também conhecer, isto é, devemos avaliar com a intenção de que a avaliação educativa desempenhe uma função formativa; transformá-la em um instrumento que faça com que todos adquiram o saber e se apropriem dele de um modo reflexivo, que em outras palavras, é a concepção da avaliação como mais uma forma de aprender, de ter acesso ao conhecimento, como uma oportunidade a mais de aprender e de continuar aprendendo, a longo prazo. O que tira da avaliação um caráter de instrumento de seleção e qualificação.
Nesta perspectiva, a avaliação é vista como uma atividade contínua de conhecimento, com o objetivo principal de assegurar o progresso formativo daqueles que participam do processo educativo, tanto quem aprende assim como quem ensina. Isto porque, considerando a avaliação como atividade crítica de conhecimento, a própria correção feita pelo professor torna-se texto de aprendizagem para o aluno. E é deste modo então, que a avaliação converte-se em atividade de aprendizagem estreitamente ligada à prática crítica e reflexiva, na medida em que avaliamos de forma educativa, a avaliação se torna fonte de conhecimento e impulso para conhecer. E quanto aos erros, estes devem ser vistos como mais uma forma de aprender, e por este motivo é de fundamental importância a qualidade da informação que o professor destina ao aluno na correção de suas provas e trabalhos de aprendizagem em geral.
Também acredito que, em acordo com as proposições do autor, qualquer forma de avaliar a aprendizagem dos alunos a ser utilizada deve estar a serviço, prioritariamente, de quem aprende. Esqueçam aquilo de que professor bom é aquele que faz os alunos tirarem as notas mais baixas em suas provas!! Quando avaliamos apenas para confirmar ignorâncias, evidenciar erros, e como conseqüência qualificamos negativamente, o conhecimento torna-se fiscalizador, superficial, e empobrecedor de uma atividade que deve ser gratificante, estimulante de novas aprendizagens e descobertas de conhecimento. O que na maioria esmagadora dos casos de hoje em dia não acontece, afinal, qual é o aluno que gosta de fazer prova e sentir aquele frio na barriga aterrorizador? rsrs.
Brincadeiras à parte, a qualidade de uma avaliação portanto, deve assegurar a aprendizagem contínua de todos os envolvidos nesse processo, sem discriminar alunos supostamente melhores que outros que não o são.
E a História, como grande terreno de contextualização para outras disciplinas escolares, ainda mais como uma ciência humana, tem, na questão da avaliação formativa, uma possibilidade muito grande de desenvolver aquilo que chamamos de senso crítico do aluno, em dar respostas criativas, argumentadas e de caráter essencialmente individual, na medida em que o professor de histór priorizar o desenvolvimento de questões que obriguem à reflexão, desafiando a capacidade do aluno elaborar um pensamento capaz de fazer relações entre as questões abordadas por essa disciplina, como questões sociais, políticas e econômicas. Do mesmo modo em que a História pode também ser, negativamente, utilizada de modo a elaborar questões que priorizem os dados de memória, de lembrança, de identificação e repetição, como “datas e nome”, sendo que assim o professor nunca poderá encontrar nas respostas do aluno o seu senso crítico e sua capacidade argumentativa.
Para terminar, é claro que um dos grandes problemas de uma avaliação formativa é, além de o aluno preferir as provas objetivas em que basta apenas assinalar a resposta certa sem muito esforço, ou dar aquela olhadela para a carteira ao lado (apenas para conferir as respostas, é claro, rsrsrsr), é o esforço ou a disposição por parte do professor em perder horas na elaboração e correção das questões, já que uma avaliação formativa deve, essencialmente, servir como um acompanhamento contínuo do desenvolvimento do aluno, e convenhamos, nas condições em que se encontram hoje a educação brasileira e a remuneração dos docentes, haja força de vontade, não?
That's all for now!
Texto de referência da postagem:
MENDEZ, J.M. Avaliar para conhecer, examinar para excluir. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Didáticas Tradicionais vs. Novas Didáticas
Na sociologia, quando falamos em Didática, nos remetemos especialmente ao conceito de transposição didática, isto é, a transformação da cultura ou do conhecimento em objeto de ensino e aprendizagem escolar. A primeira fase dessa transposição didática consiste na elaboração do currículo formal, na escolha daqueles saberes e conteúdos que devem ser "codificados" para fazerem parte do currículo oficial. Já a segunda fase da transposição é aquela que desenvolve-se em sala de aula, ou seja, o currículo real.
Mas então, como é que o currículo formal se transforma em currículo real?
Para isso, é que o professor cria um sistema de interações, de atividades e de trabalhos em sala de aula, que tratam de criar uma certa organização de suas aulas.
Na chamada Didática Tradicional, o controle do trabalho escolar segue a seguinte lógica:
1) O trabalho escolar é exigido pelo professor;
2) O trabalho exigido é efetuado pelos alunos sob vigilância;
3) Finalmente, o trabalho é corrigido e avaliado.
As características das tarefas escolares tradicionais, portanto, se resumem basicamente em realizar, vigiar e corrigir, e em nenhum momento se observa uma postura ativa do aluno, propondo questões ou tendo autonomia na realização ou desenvolvimento dessas tarefas. Esta lógica no entanto, cria uma série de problemas que, muito fácil, encontramos na educação hoje em dia:
- a dependência das crianças e dos adolescentes em relação aos adultos;
- as estratégias individuais e coletivas são necessariamente de curto prazo, devido às constantes mudanças de professor e de estabelecimento de ensino durante a vida escolar do aluno;
- e ainda, os alunos são colocados numa situação de competição permanente, buscando responder às tarefas solicitadas pelo professor o mais rápido possível, buscando sempre ser o melhor, o que impede uma solidariedade verdadeira entre a classe.
Em algumas escolas, no entanto, as formas clássicas do ensino e do trabalho escolar são substituídas por novas didáticas, inspiradas nos princípios da escola ativa e no construtivismo. (lembrem do post anterior!)
As novas didáticas, portanto, são resultantes de uma crítica às didáticas tradicionais, e se apresentam como alternativas propostas a todos os que não se contentam (ou não se adequam) com as formas clássicas do ensino e do trabalho escolar; com elas temos assim, uma redefinição das tarefas!
Para mim, o mais importantes das novas didáticas é a ênfase dada às interações sociais tanto entre alunos como entre o professor e os alunos; assim como a vontade de tornar a escola mais receptiva à vida, de consolidar as aprendizagens escolares nas experiências cotidianas, na "vivência" dos alunos; assim como a importância dada aos aspectos cooperativos do trabalho escolar, em oposição às tarefas estritamente individuais e à competição entre os alunos. Nesta perspectiva também, é de importante valor a motivação intrínseca do aluno, o prazer, a vontade de descobrir e de fazer, em oposição ao método de promessas e ameaças.
Por outro lado, concordo que as novas didáticas também trazem problemas, pois se dermos maior importância ao aluno como sujeito ativo da sua aprendizagem, mais do que ao professor enquanto transmissor de conhecimentos, não estaríamos tirando do professor os fundamentos de seu trabalho? Talvez não, não sei. Além disso, dada essa autonomia na proposição e realização das tarefas aos alunos, as novas didáticas não estariam enfraquecendo o controle do professor e aumentando o espaço de manobra dos alunos em relação à indisciplina entre outras questões?
Enfim, talvez com alguns semestres a mais no meu currículo eu tenha uma posição mais clara e possa desequilibrar essa disputa! rsrsr
Mas e que saudade da Mafalda!
Olha ela aqui! Acho que também inventou uma 'Nova Didática' para as
brincadeiras infantis! rsrsrs
Referência:
Texto: Novas didáticas e estratégias dos alunos face ao trabalho escolar. In: PERRENOUD, P. Práticas pedagógicas, profissão docente e formação. Lisboa: Dom Quixote, 1997.
domingo, 13 de novembro de 2011
Interacionista? Ser ou não ser, eis a questão!
Relembrando um pouquinho do que vimos aqui no blog, já tratamos de uma porção questões relacionadas à Didática e ao ensino, embora talvez não pareça! rsrsrs
Em relação às teorias da educação, falamos sobre as funções sociais da escola e do professor. Vimos também, nas teorias de currículo, como se constrói um currículo escolar, as questões que o envolvem: importantes conceitos como ideologia, reprodução, identidade..., bem como as principais teorizações e teóricos de currículo. E ainda um pouquinho do currículo na prática: os chamados currículos prescritos, os PCN's e propostas curriculares.
Hoje, portanto, começo uma nova série de postagens aqui no blog, agora relacionada às teorias de aprendizagem e à organização do trabalho pedagógico. So, 'here we go!'
Teorias de Aprendizagem e o Interacionismo
As teorias de aprendizagem, em suma, têm como ponto fundamental a relação entre o sujeito (por ex. o aluno) e o objeto a ser conhecido/aprendido (ex. o conteúdo escolar). As principais questões dessas teorias tentam responder às perguntas de 'Como aprendemos?', 'Como conhecemos o mundo ao nosso redor e seus fenômenos?'. E é justamente na busca por responder a essas questões de como se dá a interação entre sujeito e objeto (suj. <-----> obj.) no processo do conhecimento, que surgem famosas teorias como a Vygotskyana (Vygotsky), a Piagetiana (Piaget), a Freiriana (Freire) , a de Saviani (Demerval Saviani), entre muitas outras.
Podemos classificar, ainda, em especial as teorias de Piaget e de Vygostsky no que chamamos de Interacionismo.
Os estudos de Vygotsky postulam que há um processo dialético nas interações do indivíduo com o outro e com o meio, e que este processo seria o desencadeador do desenvolvimento. Para Vygotsky e seus colaboradores, o desenvolvimento também tem como principal mecanismo a linguagem. Já para Piaget e o Construtivismo, nós conhecemos o mundo e aprendemos através da elaboração de esquemas mentais e motores, que evoluem conforme as diferentes etapas de nosso desenvolvimento cognitivo. Enquanto Piaget defende que a estruturação do organismo (questões genéticas) vem antes do desenvolvimento, para Vygotsky é o próprio processo de aprender que gera e promove o desenvolvimento das estruturas mentais superiores.
Baseados nestas postulações portanto, podemos dizer que as interações têm um papel crucial e determinante no desenvolvimento. Aprender é um grande processo de construção, na interação e no convívio com pessoas e com meio social em que vivemos. Resumindo: o papel do sujeito nessa interação e nesse processo de conhecimento é essencialmente ativo, sendo a aprendizagem um produto do desenvolvimento, bem como um processo de aquisição no intercâmbio com o meio.
E para terminar a grande questão: Sou interacionista?
Quer dizer, considero os conceitos e práticas interacionistas como importantes na formação dos meus (futuros) alunos?
Bem, depois de ler todas essas teorias, assim como no interacionismo, também considero que os elementos biológicos e sociais não podem ser dissociados e que exercem influência mútua no desenvolvimento do indivíduo e no seu crescimento, e que na interação contínua e estável com os outros seres humanos, a criança desenvolve o seu repertório de habilidades. Assim como Piaget e Vysgotski, também considero a atividade experimental do aluno como fundamental em seus processos de desenvolvimento, e por isso a importância, para mim, de o aluno ser figura ativa nas aulas, não apenas o receptor de conteúdos produzidos pelo professor.
No entanto, também concordo com Vygotsky e sua perspectiva sócio-histórica do interacionismo, e acredito que não é só a atividade e a coordenação das ações que o indivíduo (aluno) realiza que são responsáveis pelo seu desenvolvimento, mas também é essencial neste processo haver o que ele chama de apropriação da bagagem cultural, ou seja, o produto da evolução histórica da humanidade, suas conquistas históricas, as quais são transmitidas na relação educativa. Por isso, assim como esta psicologia, também dou grande importância ao valor da instrução, e da transmissão educativa, e não somente (ou principalmente) a atividade experimental do aluno.
Acho que é isso, fiz uma saladinha dos postulados de Piaget e Vygotsky! rsrs
Até a próxima postagem.
Referência:
Texto: SACRISTÁN, J. G. E GOMEZ, A.I.P. Compreender e transformar o ensino. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
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