É possível desenvolver uma avaliação a serviço da aprendizagem?
Avaliar é também conhecer, isto é, devemos avaliar com a intenção de que a avaliação educativa desempenhe uma função formativa; transformá-la em um instrumento que faça com que todos adquiram o saber e se apropriem dele de um modo reflexivo, que em outras palavras, é a concepção da avaliação como mais uma forma de aprender, de ter acesso ao conhecimento, como uma oportunidade a mais de aprender e de continuar aprendendo, a longo prazo. O que tira da avaliação um caráter de instrumento de seleção e qualificação.
Nesta perspectiva, a avaliação é vista como uma atividade contínua de conhecimento, com o objetivo principal de assegurar o progresso formativo daqueles que participam do processo educativo, tanto quem aprende assim como quem ensina. Isto porque, considerando a avaliação como atividade crítica de conhecimento, a própria correção feita pelo professor torna-se texto de aprendizagem para o aluno. E é deste modo então, que a avaliação converte-se em atividade de aprendizagem estreitamente ligada à prática crítica e reflexiva, na medida em que avaliamos de forma educativa, a avaliação se torna fonte de conhecimento e impulso para conhecer. E quanto aos erros, estes devem ser vistos como mais uma forma de aprender, e por este motivo é de fundamental importância a qualidade da informação que o professor destina ao aluno na correção de suas provas e trabalhos de aprendizagem em geral.
Também acredito que, em acordo com as proposições do autor, qualquer forma de avaliar a aprendizagem dos alunos a ser utilizada deve estar a serviço, prioritariamente, de quem aprende. Esqueçam aquilo de que professor bom é aquele que faz os alunos tirarem as notas mais baixas em suas provas!! Quando avaliamos apenas para confirmar ignorâncias, evidenciar erros, e como conseqüência qualificamos negativamente, o conhecimento torna-se fiscalizador, superficial, e empobrecedor de uma atividade que deve ser gratificante, estimulante de novas aprendizagens e descobertas de conhecimento. O que na maioria esmagadora dos casos de hoje em dia não acontece, afinal, qual é o aluno que gosta de fazer prova e sentir aquele frio na barriga aterrorizador? rsrs.
Brincadeiras à parte, a qualidade de uma avaliação portanto, deve assegurar a aprendizagem contínua de todos os envolvidos nesse processo, sem discriminar alunos supostamente melhores que outros que não o são.
E a História, como grande terreno de contextualização para outras disciplinas escolares, ainda mais como uma ciência humana, tem, na questão da avaliação formativa, uma possibilidade muito grande de desenvolver aquilo que chamamos de senso crítico do aluno, em dar respostas criativas, argumentadas e de caráter essencialmente individual, na medida em que o professor de histór priorizar o desenvolvimento de questões que obriguem à reflexão, desafiando a capacidade do aluno elaborar um pensamento capaz de fazer relações entre as questões abordadas por essa disciplina, como questões sociais, políticas e econômicas. Do mesmo modo em que a História pode também ser, negativamente, utilizada de modo a elaborar questões que priorizem os dados de memória, de lembrança, de identificação e repetição, como “datas e nome”, sendo que assim o professor nunca poderá encontrar nas respostas do aluno o seu senso crítico e sua capacidade argumentativa.
Para terminar, é claro que um dos grandes problemas de uma avaliação formativa é, além de o aluno preferir as provas objetivas em que basta apenas assinalar a resposta certa sem muito esforço, ou dar aquela olhadela para a carteira ao lado (apenas para conferir as respostas, é claro, rsrsrsr), é o esforço ou a disposição por parte do professor em perder horas na elaboração e correção das questões, já que uma avaliação formativa deve, essencialmente, servir como um acompanhamento contínuo do desenvolvimento do aluno, e convenhamos, nas condições em que se encontram hoje a educação brasileira e a remuneração dos docentes, haja força de vontade, não?
That's all for now!
Texto de referência da postagem:
MENDEZ, J.M. Avaliar para conhecer, examinar para excluir. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.

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