"Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda." Paulo Freire

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Didáticas Tradicionais vs. Novas Didáticas

     Na sociologia, quando falamos em Didática, nos remetemos especialmente ao conceito de transposição didática, isto é, a transformação da cultura ou do conhecimento em objeto de ensino e aprendizagem escolar. A primeira fase dessa transposição didática consiste na elaboração do currículo formal, na escolha daqueles saberes e conteúdos que devem ser "codificados" para fazerem parte do currículo oficial. Já a segunda fase da transposição é aquela que desenvolve-se em sala de aula, ou seja, o currículo real

Mas então, como é que o currículo formal se transforma em currículo real? 
Para isso, é que o professor cria um sistema de interações, de atividades e de trabalhos em sala de aula, que tratam de criar uma certa organização de suas aulas. 

Na chamada Didática Tradicional, o controle do trabalho escolar segue a seguinte lógica:
1) O trabalho escolar é exigido pelo professor;
2) O trabalho exigido é efetuado pelos alunos sob vigilância;
3) Finalmente, o trabalho é corrigido e avaliado. 
As características das tarefas escolares tradicionais, portanto, se resumem basicamente em realizar, vigiar e corrigir, e em nenhum momento se observa uma postura ativa do aluno, propondo questões ou tendo autonomia na realização ou desenvolvimento dessas tarefas. Esta lógica no entanto, cria uma série de problemas que, muito fácil, encontramos na educação hoje em dia:  
- a dependência das crianças e dos adolescentes em relação aos adultos;
- as estratégias individuais e coletivas são necessariamente de curto prazo, devido às constantes mudanças de professor e de estabelecimento de ensino durante a vida escolar do aluno;
- e ainda, os alunos são colocados numa situação de competição permanente, buscando responder às tarefas solicitadas pelo professor o mais rápido possível, buscando sempre ser o melhor, o que impede uma solidariedade verdadeira entre a classe. 

Em algumas escolas, no entanto, as formas clássicas do ensino e do trabalho escolar são substituídas por novas didáticas, inspiradas nos princípios da escola ativa e no construtivismo. (lembrem do post anterior!)
As novas didáticas, portanto, são resultantes de uma crítica às didáticas tradicionais, e se apresentam como alternativas propostas a todos os que não se contentam (ou não se adequam) com as formas clássicas do ensino e do trabalho escolar; com elas temos assim, uma redefinição das tarefas! 

Para mim, o mais importantes das novas didáticas é a ênfase dada às interações sociais tanto entre alunos como entre o professor e os alunos; assim como a vontade de tornar a escola mais receptiva à vida, de consolidar as aprendizagens escolares  nas experiências cotidianas, na "vivência" dos alunos; assim como a importância dada aos aspectos cooperativos do trabalho escolar, em oposição às tarefas estritamente individuais e à competição entre os alunos. Nesta perspectiva também, é de importante valor a motivação intrínseca do aluno, o prazer, a vontade de descobrir e de fazer, em oposição ao método de promessas e ameaças. 
Por outro lado, concordo que as novas didáticas também trazem problemas, pois se dermos maior importância ao aluno como sujeito ativo da sua aprendizagem, mais do que ao professor enquanto transmissor de conhecimentos, não estaríamos tirando do professor os fundamentos de seu trabalho? Talvez não, não sei. Além disso, dada essa autonomia na proposição e realização das tarefas aos alunos, as novas didáticas não estariam enfraquecendo o controle do professor e aumentando o espaço de manobra dos alunos em relação à indisciplina entre outras questões? 
Enfim, talvez com alguns semestres a mais no meu currículo eu tenha uma posição mais clara e possa desequilibrar essa disputa! rsrsr


Mas e que saudade da Mafalda! 
Olha ela aqui! Acho que também inventou uma 'Nova Didática' para as 
brincadeiras infantis! rsrsrs   

                                                                   

Referência:
Texto: Novas didáticas e estratégias dos alunos face ao trabalho escolar. In: PERRENOUD, P. Práticas pedagógicas, profissão docente e formação. Lisboa: Dom Quixote, 1997. 

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