Em nossas duas últimas aulas de Didática, assistimos às apresentações da turma sobre diversos temas relacionados às teorias curriculares, gostaria então de deixar aqui no blog um pouquinho do que foi apresentado!
Tivemos seminários sobre conceitos como: a Fenomenologia, uma resposta à concepção teórica do currículo técnico de Tyler, que surgida da década de 70, buscava analisar, e incorporar as discussões de currículo, a experiência dos alunos. O Conceito de Reprodução, muito discutido da década de 60 e 70, na crítica à influência da ideologia da sociedade capitalista no currículo escolar. Ainda no campo dos conceitos, o conceito de Capital Cultura de Pierre Bourdieu, que traz a diferenciação entre dois tipos de saberes em conflito na escola, o da classe burguesa/ classe dominante, a qual tem a posse do capital cultura, em oposição ao saber da classe trabalhadora.
Além dos conceitos, aprendemos também sobre noções como a do Currículo Oculto, que seria tudo aquilo que temos na escola se tirarmos as disciplinas/matérias propriamente ditas. Explicando melhor: é aquilo que temos na escola mas não é dito, não é oficializado, como a disposição dos alunos e professores na sala, as relações do professor com os alunos, a organização dos horários escolares, etc... Nesta apresentação o que me chamou a atenção foi a ideia de que temos que desvincular o Currículo Oculto da noção de que é algo indesejável, negativo, o reprodutor de uma ideologia opressiva. O que não é necessariamente assim, quando pensarmos que todas as práticas sociais são ideológicas, boas ou ruins!
Foram apresentados também importantes figuras da teorização educacional, como os brasileiros Paulo Freire e Demerval Saviani, protagonistas do grande embate teórico da década de 1980. Sobre Freire, destaco as noções de que o conhecimento em cada pessoa é construído de acordo com suas vivências e saberes anteriores, e de que não há saber melhor ou pior, eles são apenas diferentes!
No segundo dia de apresentações, vimos o contexto histórico das Teorias Críticas, com o mundo nas décadas de 1960 e 70 sendo palco de diversas formas de luta e protestos sociais, como a luta contra a ditadura militar no Brasil, a descolonização africana, os protestos contra a guerra do Vietnã, a ideologia da contracultura, e os movimentos pelos Direitos Civis, como o feminismo e o movimento negro norte-americano.
Gostaria de destacar também a apresentação sobre a Questão Étnica e Racial, que traz a noção de currículo como narrativa étnica e racial, junto a ideia de que estas noções não existem naturalmente, são construções históricas. Para exemplificar, as meninas desse grupo nos trouxeram uma atividade bem interessante: deveríamos preencher uma folhinha que imitava um passaporte, iriamos fazer uma viagem aos Estados Unidos da Cocanha (rsrsrs), nele teríamos que escrever nosso nome, local de nascimento, sexo, nacionalidade e as perguntas que pra mim foram as mais difíceis: raça e etnia. Como nos definimos dentro esses conceitos? Eu não soube responder! Raça, isso existe? Biologicamente não, e etnia, no meu caso uma confusão! Pensei em brasileira, mas é nacionalidade, talvez meio alemã, meio italiana, meio brasileira, mas o qual brasileiro? o do sul, o do nordeste, do sudeste...aaaaaah deixa pra lá! Assim são estes pequenos conceitos que utilizamos na escola que fazem grande diferença, pois estão embricados numa enraizada relação de poder da nossa sociedade.
Pra terminar apresentações sobre a Teoria Pós-Colonialista de Currículo, Feminismo e Teoria Queer, e a Escola-Parque Anísio Teixeira! Ufa foi tanta coisa! Gostaria de poder falar mais de cada um! rsrs Foram apresentações muito interessantes, com atividades criativas para interagir com a turma, uns trouxeram músicas e vídeos, outros nos fizeram questionar uma porção de conceitos, outro grupo nos trouxe uma análise de uma história em quadrinhos de um livro didático da década de 70! Enfim, para mim foi uma experiência enriquecedora, contribuiu muito para aumentar meu capital cultural, como diz Bourdieu! rsrsr
Fora que também é ótimo quando temos que inverter as posições, quando a professora senta para ouvir e nós tomamos a frente da sala! Um ótimo exercício para o que iremos fazer todos os dias daqui alguns anos! E por fim, e realmente não menos importante, o que eu aprendi com os seminários, é que a gente nunca deve ligar a caixa de som direto na tomada, e sim no estabilizador do computador! Foi assim que durante a nossa apresentação a caixa de som explodiu e fez a turma rir horrores! É, vivendo e aprendendo! heheheheh
Algumas fotos da nossa apresentação:
Créditos das fotos ao colega Gil Ferri em: BONITAS, As (orgs.). A explosiva apresentação. In: Seminário de Didática B. UFSC: Floripa, 2011/2
Olá colega!
ResponderExcluirBela postagem!! Resumiu de forma descontraída as importantes aposentações sobre as teorias de currículo... Parabéns Aline e Júlia pela interessante apresentação também!
E digo: foi muito legal fazer a cobertura fotográfica dos seminários, principalmente registrar a apresentação das queridas amigas bonitas! Hehehe.
Um grande abraço, Gil Ferri.
Não acredito, essas fotos já estão na rede! rsrs
ResponderExcluirFoi um prazer elaborar esse trabalho com você juntamento com o Tomaz Tadeu da Silva e foi uma honra queimar a caixa de som também.
Vivendo e Aprendendo! :D
Beijos
Faço minhas suas palavras Ju!! E ainda mais, como eu disse, nosso trabalho foi o único com show pirotécnico de toda a UFSC tá! Um 'lusho'! hahaha Beijo!
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